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  • Foto do escritorObservatório das Desigualdades

Movimento LGBTQI+



Texto construído a partir da colaboração de Rhanielly Pereira do Nascimento Pinto (professor de História e mestrando em História pela UFG) Para ver ou ouvir clique no vídeo acima!

O movimento LGBTIQ+ é a soma de ações e resistências da comunidade LGBTIQ+. Essa comunidade começa a surgir no final da década de 1960, com o surgimento de uma série de questionamentos relacionados à sexualidade. Um marco fundamental foi o movimento que se estabeleceu em Stonewall, com a Revolta de Stonewall em 1969. Nesse momento, homossexuais, travestis, transexuais e lésbicas se levantaram contra a violência policial em Nova York, nos Estados Unidos. A violência policial era (e ainda é) uma prática comum contra essa comunidade, não apenas nos Estados Unidos, mas, também, em outros contextos, como na América Latina e no Brasil.

A Argentina é um exemplo fundamental para compreendermos esse processo. O movimento homossexual se inicia, na Argentina, entre 1967 e 1969, com a formação do grupo nuestro mundo, que, posteriormente, viria a formar a Frente de Libertação Homossexual (FLH) Argentina. No Brasil, esse movimento também se estabeleceu em 1978, com a formação do Somos: Grupo de Afirmação Homossexual, nome que é também uma homenagem ao jornal produzido pela frente Argentina. O Grupo Somos criou o Lampião da Esquina, jornal de referência para a formação da primeira onda do movimento no Brasil.

É importante pensarmos sobre o porquê de antes denominarmos o movimento de homossexual, e, hoje em dia, usarmos a expressão movimento LGBTIQ+. Atualmente, nós temos um maior entendimento sobre o que são as identidades sexuais, o que são as identidades de gênero e que cada uma dessas identidades estabelece uma relação completamente distinta com relação aos aspectos de absorção, de assimilação e de interpretação da realidade. O que isso quer dizer? Que alguns corpos acabam sendo mais aceitáveis que outros, então o movimento ele se pluraliza com demandas específicas de cada um dos grupos.

Nesses grupos, há uma divisão entre identidades sexuais, que estão relacionadas aos desejos, ainda, identidades de gênero que estão relacionados com a forma como as pessoas se sentem e se identificam enquanto o gênero. No primeiro grupo, há a homossexualidade, bissexualidade, a identidade lésbica (ou as identidades lésbicas). No segundo, há as intersexuais, transgêneros, transexuais, travestis e queers. O que marca essa diferença? A identidade sexual se relaciona ao desejo, o desejo com aquelas e aqueles que nós desejamos estar afetiva e sexualmente, enquanto a identidade de gênero está mais relacionada ao processo de identificação de quem você é.

No caso das mulheres e dos homens trans há um não reconhecimento da identidade de gênero que lhe é atribuído no nascimento, uma identidade de gênero que decorre de uma simetria entre sexo biológico e gênero. No caso das pessoas queers, elas não compreendem, não se assimilam e não se identificam nem com homens e nem com mulheres. Elas transitam entre esses polos e criam outras categorias para si. Por isso, essas são identidades que estão fora da inteligibilidade desse binarismo masculino e feminino. Por fim, os/as intersexuais, que nascem com características biológicas ditas masculinas e femininas, também não se compreendem dentro dessa identidade de gênero binária.


Quer saber mais? Leia:

FACCHINI, Regina. Sopa de Letrinhas? Movimento homossexual e produção de identidades. São Paulo: Garamond Universitaria, 2005. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/282012. Acesso em: 15 out. 2020.

GREEN, James N. et al (org). Histórias do Movimento LGBT do Brasil. São Paulo: Alameda, 2018.





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