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Gestão Social



Texto construído a partir da colaboração de Washington José de Souza (professor do DAPGS/ CCSA/UFRN)

É possível compreender a gestão social como aquela exercida por coletivos para coletivos. Ela, portanto, difere da gestão empresarial, por não possuir um caráter competitivo e concorrencial, conforme é conhecida no mundo capitalista empresarial. Ela difere da gestão pública por não ter natureza burocrática, centrada em regras, normas leis e tratados. A gestão social tem ênfase nas relações entre sujeitos autônomos, com propósitos não individualistas e voltados para a gestão de organizações solidárias. Ela envolve temas de interesse público, sempre baseada em relações de decisões tomadas por meio do diálogo, e na participação entre sujeitos que devem se considerar iguais. Trata-se, portanto, de uma gestão dialógica, conforme pontua o professor Fernando Tenório.

A gestão social tem sido objeto de práticas associadas a arranjos da sociedade civil, com viés comunitário, podendo incluir, ainda, o monitoramento e avaliação de políticas públicas em colegiados. Ela é pautada, por exemplo, pelo combate à pobreza, promoção da sustentabilidade e do meio ambiente, trabalhos voluntários e ações associativas com diversas finalidades, a exemplo de grupos de produção solidária e de geração de renda como aqueles que se enquadram na chamada economia solidária.

Há, ainda, um conjunto de organizações privadas com interesse público, com ações de saúde, esporte, educação, cultura, lazer. Nesse ponto, é possível identificar um braço socioassistencial não governamental. É não governamental porque são organizações criadas por coletivos de pessoas privadas, que resolveram se associar para realizar ações de interesse público. Há, também, um viés de resistência, de embate público protagonizado, por exemplo, por associações que buscam a garantia de direitos, sindicatos, organizações ambientalistas.

É possível afirmar também que é no chamado terceiro setor que tal ambiente organizacional se realiza. Mas, lembrando que há um lado do dócil, mas, também, outro combativo, em que há posicionamentos políticos. Por isso, gestão social não pode ser reduzida a uma noção de docilidade. Ela é um espaço privilegiado de interação social e de busca de ações solidárias.

E que desafios existem para a gestão social? Pode-se citar dois. O primeiro é da descrença das pessoas na ação e no poder de coletivos, preferindo a ação individual, em uma perspectiva de competição, o que ocorre ao longo da história do Brasil. Muitas pessoas não acreditam no cooperativismo, em virtude de problemas que ocorreram em momentos anteriores. Isso se deve a casos em que há uma assimetria de conhecimentos e interesses políticos de coletivos, em que alguém se apropria, indevidamente, de um dos propósitos e opera desvios de função, trazendo descrença para o trabalho coletivo associativo.

Outro desafio é aquele que se coloca para as práticas democráticas, no Brasil, especialmente pensando nos conselhos de políticas públicas, que sofrem descontinuidades entre as gestões de diferentes governos. Isso também produz desconfiança nas pessoas em participar da vida social e coletiva, buscando soluções para os problemas que afligem a todas as pessoas.


Quer saber mais? Leia:

BOULLOSA, Rosana F. Dicionário para a Formação em Gestão Social. 1. ed. Salvador: Editora CIAGS, 2014.

DOWBOR, Ladislau. Gestão social e transformação da sociedade. Portal Setor3. Disponível em: http://www.setor3.com.br/. Acesso em: 20 out. 2020.

FISCHER, Tania. Gestão do desenvolvimento e poderes locais. Salvador: Casa da Qualidade, 2002.

JUNQUEIRA, Luciano Antonio Prates et al (org.). Gestão social: mobilizações e conexões. São Paulo: LCTE Editora, 2012.

SOUZA, Washington. Gestão de empreendimentos não governamentais. UFRN, 2010. Disponível em: https://ria.ufrn.br/jspui/handle/123456789/1428. Acesso em: 15 out. 2020.

TENÓRIO, Fernando Guilherme. Gestão social: uma perspectiva conceitual. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 32, n. 5, p. 7 a 23, mar. 1998. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/7754>. Acesso em: 15 out. 2020.


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