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  • Foto do escritorObservatório das Desigualdades

Desigualdade racial

Atualizado: 23 de abr. de 2023

O texto a seguir foi construído a partir da colaboração de Ana Paula Campos (Feminista negra, colunista do RN – jornal Potiguar Notícias, contadora de histórias pretas e pedagoga pela UFRN). Para ver ou ouvir clique no vídeo abaixo!

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Adesigualdade racial não é um recorte do problema das desigualdades, mas é parte do problema como um todo. Isso porque não é possível discutir nada no Brasil sem considerar a questão racial como central. O Brasil é um país que teve quase 400 anos de escravidão e foi o último do mundo a aboli-la. Houve, ainda, um plano eugenista para cancelar corpos negros e para garantir a manutenção do racismo, o que acontece até hoje.

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Com base em Sílvio Almeida, que discute o racismo como estrutural, é necessário considerar que a desigualdade racial envolve dimensões psicológica, científica, jurídica, acadêmica e filosófica. Por ser estrutural, todos esses pontos se entrecruzam para garantir a manutenção do racismo. Por isso, não adianta pensarmos nenhuma questão no Brasil sem ter a raça no centro.

Já Abdias Nascimento discute a questão do genocídio do povo negro, que ocorreu e ocorre de maneira física (quando corpos negros são assassinados, o que ocorre a cada 23 minutos com um jovem negro brasileiro), mas também de forma psicológica (quando as pessoas negras são colocadas como povo impotente, sem referências, descendentes de escravos; pessoas fora do padrão).

É importante perceber que dentre essas lógicas de cancelamento dos corpos negros, há, ainda, questão dos presídios e do encarceramento de massa, como discute a Carla Akotirene, em relação a mulheres em situação de cárcere em Salvador. Ainda que a autora traga um olhar de gênero e para uma cidade específica, isso se reproduz ao longo do território nacional. O Brasil é um dos países com maior população carcerária do mundo. E isso não significa que as pessoas negras sejam perigosas, embora elas tenham sido tratadas dessa forma, a partir das construções do racismo científico, que construiu esta associação de maior propensão ao crime.

Para pensar racismo é preciso, ainda, trazer o recorte de gênero, considerando as interseccionalidades. Isso porque, para a mulher negra brasileira, as opressões são ainda mais cruéis porque – como nos informa Lélia González – sobre elas recaem uma tripla opressão: o racismo, o machismo e o sexismo. Dentre outro efeitos, isso produz a solidão da mulher negra, a exemplo de quando as meninas negras são preteridas das brincadeiras por por serem negras; ou quando as mulheres negras não são consideradas bonitas, por não apresentarem o padrão de beleza; quando um homem negro prefere estar com uma mulher branca, porque ele também foi ensinado que esses são os corpos que merecem afetos; que são considerados bonitos.

Também quando discutimos mercado de trabalho é necessário trazer essa interseccionalidade. Sueli Carneiro discute que raça faz classe e, ainda, que as mulheres negras recebem as piores remunerações no mercado de trabalho. Assim, se forma uma pirâmide, com os homens brancos no topo, seguido da mulher branca, depois, do homem negro e, por último, a mulher negra, que está na base dessa pirâmide que compõe toda estrutura social.

Em resumo, o racismo é central para pensar o Brasil, mas ele deve ser interseccionado com gênero e com outras formas de opressões, que são fundamentais para entender as desigualdades e promover políticas públicas com equidade, que contribuam para mudar a estrutura desse país.

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Quer saber mais? Leia:

AKOTIRENE, Carla. Ó pa í, Prezada: racismo e sexismo institucionais tomando bonde nas penitenciárias femininas. São Paulo: Jandaíra, 2020. 256 p.

ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. São Paulo: Jandaíra, 2019. (Feminismos Plurais).

CARNEIRO, Sueli. Gênero Raça e Ascensão Social. Estudos Feministas, [S.L.], v. 3, n. 2, p. 544-552, 01 jan. 1995. Disponível em: https://www.geledes.org.br/wp-content/uploads/2015/05/G%C3%AAnero-ra%C3%A7a-e-ascen%C3%A7%C3%A3o-social.pdf.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje: Anpocs, São Paulo, p. 223-243, fev. 1984. Anual. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4584956/mod_resource/content/1/06%20-%20GONZALES%2C%20L%C3%A9lia%20-%20Racismo_e_Sexismo_na_Cultura_Brasileira%20%281%29.pdf.

NASCIMENTO, Abdias. O Genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva S.A., 2016. 232 p.

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