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  • Foto do escritorObservatório das Desigualdades

Branquitudes

Atualizado: 23 de abr. de 2023

O texto a seguir foi construído a partir da colaboração de Josiane Oliveira (Professora do DEPAD/CCSA/UFRN e pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros da Universidade Estadual de Maringá – NEIAB – UEM).

Para ver ou ouvir clique no vídeo abaixo!


O conceito de branquitudes foi desenvolvido para nos auxiliar a compreender os processos de construção e de constituição identitária racial branca. Assim como existe o conceito de negritude, que ajudar a compreender as dinâmicas e os processos identitários vinculados às populações negras, o conceito de branquitude contribui para refletirmos sobre as relações raciais, considerando a construção identitária das populações brancas.

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No Brasil, um dos primeiros autores a sistematizar as discussões sobre as relações raciais e as branquitudes foi o sociólogo Alberto Guerreiro Ramos, que na década de 1950 escreve um texto intitulado Patologia Social do Branco Brasileiro. Nesse texto, Guerreiro Ramos chama atenção para a necessidade de discutirmos as estruturas e as desigualdades raciais brasileiras não somente a partir das questões vinculadas às populações negras e às populações indígenas, mas, também em relação a outros grupos racializados em nossa sociedade. O autor enfatizar essa questão a partir dos debates sobre as populações brancas.

Nos anos 2000, uma outra pesquisadora, Maria Aparecida Bento, avança teoricamente nessas discussões, ao refletir sobre mecanismos de funcionamento e os modos de operação das branquitudes na vida cotidiana. Ela desenvolve o conceito de pacto narcísico da branquitude para debater como que as branquitudes funcionam na vida cotidiana, a partir dos seus modos de operação.

Outro pesquisador que vai nos ajudar a refletir sobre o conceito de branquitude é Lourenço da Conceição Cardoso, que, a partir de uma reflexão crítica sobre o processo de constituição da identidade racial branca, desenvolve dois conceitos que também ajudam a compreender esse processo e seus modos de funcionamento. Trata-se dos conceitos de branquitude crítica e branquitude acrítica.

O conceito de branquitude crítica está vinculado aos processos de construções identitárias raciais brancas, quando há um processo crítico e reflexivo dessa dinâmica, enfatizando e reconhecendo as estruturas de desigualdades raciais. A branquitude crítica remete a um processo de construção identitária racial branca, que reconhece essas estruturas de desigualdades. Além disso, ela não só contribui em termos teóricos e reflexivos, mas também auxilia a forjar mecanismos de ações e práticas que visem ao rompimento das estruturas de desigualdades, considerado este posicionamento que as populações brancas ocupam nas estruturas de desigualdades raciais.

Por outro lado, a branquitude acrítica remte a um processo de construção identitária racial branca, que se reconhece e que se constitui a partir da ideia de supremacia branca. Esse processo de construção identitária ocorre especialmente vinculados aos grupos supremacistas, que não somente vão reconhecer esse processo de construção identitária, mas utilizam dele para justificar a ideia de supremacia racial que existe na sociedade.


Quer saber mais? Leia:


BENTO, Maria Aparecida S. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARONE, I. BENTO, Maria Aparecida S. Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2016. Disponível em: http://www.media.ceert.org.br/portal-3/pdf/publicacoes/branqueamento-e-branquitude-no-brasil.pdf

CARDOSO, Lourenço. O branco ante a rebeldia do desejo: um estudo sobre a branquitude no Brasil. 2014. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2014. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/115710

GUERREIRO RAMOS, Alberto. Patologia social do ‘branco’ brasileiro”. In:GUERREIRO RAMOS, Alberto. Introdução crítica à sociologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1957.

OLIVEIRA, Josiane Silva. Racismo, Estudos Organizacionais e o medo branco da rebeldia do desejo*. 2020. Disponível em: https://nuevoblog.com/2020/06/17/racismo-estudos-organizacionais-e-o-medo-branco-da-rebeldia-do-desejo/.


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